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31.3.10

Bate Boca

Hoje tirei o dia (ou a noite) para me dedicar à "hot night" de entrevistas protagonizadas por Ricardo Costa, Pinto da Costa e Luis Filipe Vieira à Sic Noticias, RTP e SIC respectivamente. Como entretanto me deixei levar  uma grande partida de futebol já apenas consegui ver, em diferido, duas das entrevistas.

1. Começando pela de LFV que foi aquela que menos me entusiasmou, posso dizer que Miguel Sousa Tavares foi muito mais manso do que esteva à espera. Quem conhece as tendências clubisticas do comentador sabe à partida que no que toca ao Sport Lisboa e Benfica e Futebol Clube do Porto MST é tudo menos imparcial. Daí a minha surpresa, não esperava  um ataque descabido e monstruoso pois existe um código deontológico a respeitar, quando vejo o mais feroz cronista da Bola sem ser capaz de empurrar o presidente do Benfica às cordas. Mesmo na parte em que a entrevista abordou a parte financeira do clube, tema sensível já que os sucessivos empréstimos preocupam alguns adeptos, LFV manteve-se calmo e teve alguma clarividência (dentro dos seus limites) na forma como explicou como pretendia financiar o projecto Benfica a longo prazo. Como Benfiquista declaro-me satisfeito com quase a totalidade da entrevista naquela que considero a melhor desde que LFV tomou posse, diga-se de passagem que os tempos são abonatórios à sua pessoa,  exceptuando a parte final em que o presidente do Sport Lisboa e Benfica se evade por completo à questão das claques, questão essa que deveria merecer toda a atenção do clube.

2. Ricardo Costa. Fantástica. A nível jurídico põe o preto no branco fundamentando de forma (quase) inequívoca a decisão tomada órgão jurisdicional  presidido por si. Se tinha dúvidas na justiça das penas aplicadas a Sapunaru e Hulk, hoje não as tenho mais. Se fica provado que os dois estão envolvidos por certo  na agressão a um "steward" a moldura a aplicar seria sempre de 3 a 18 meses, tendo sido aplicados 4 e 6 meses parece-me que não há grande falta de sensibilidade por parte do CD da Liga. Fica também finalmente explicado a diferença entre o porquê da suspensão preventiva dos dois jogadores do porto ao contrário de Vandinho e Mossoró: Um qualquer famigerado artigo do regulamento da liga diz que é necessário haver um  cartão vermelho para o jogador estar "preventivamente suspenso".
Pode-se criticar a coerência da lei? pode-se. O mesmo já não se pode dizer da coerência de Ricardo Costa e dos seus pares..

Gostei, igualmente, do juizo se bem que implícito que Ricardo Costa foi fazendo ao futebol português e às suas gentes. Sem deixar de lado a posse de jurista e líder de um órgão de justiça, o presidente do CD da liga traça o perfil sublimamente o perfil de uns quantos que estão no futebol e da forma mais opaca e menos transparente como gostam de agir. Até a resposta à pergunta da (muito) fraquinha Ana Lourenço sobre se considerava ou não um justiceiro foi boa, Ricardo Costa fica então para o futebol como alguém que quis trazer rigor jurídico à aplicação dos regulamentos, ser criticado por isso é triste e nada ajuda o futebol português.

3. Não vi a entrevista de PC, li porém algumas ideias deixadas pelo presidente do FCP. Se o Porto quer ser indemnizador em 17,5 milhões de euros (dinheiro que hipoteticamente perdeu por não se qualificar para as champions) não deverá o Porto provar, ou mensurar, que a prestação de Hulk se traduziria no aumento de 12 pontos (sim porque o segundo lugar leva apenas a uma pré-eliminatória)  através do seu registo mais recente? Parece-me que sim. Olhando para o paupérrimo campeonato que o incrível estava a fazer, mais vale estar quieto...


p.s aquilo que deveria ser um post torna-se uma nota de roda-pé. Em munique Bayern e Man United defrontaram-se na reedição de uma das mais emocionantes finais de todos os tempos. Hoje confirmei a ideia de que os comandados de Alex Fergunson são uma equipa mais italiana que qualquer outra italiana (dentro dos pressupostos ingleses claro está) e não há ninguém com jogo tão cínico como os de Manchester. Mesmo sem dominar, o Bayern foi mesmo sempre superior, e com uma eficácia espantosa a vitória só fugiu em dois lances fortuitos que muito dificilmente se voltarão a repetir. Agora no teatro dos sonhos o Man United tem a oportunidade de virar a eliminatória, não esquecer que da próxima vez estará do outro lado um senhor chamado Arjen Robben que quando os seus músculos de seda o permite gosta de dificultar a vida aos adversários, pelo menos Felix Margath e Cesar Prandelli que o digam...