Mostrando postagens com marcador génios. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador génios. Mostrar todas as postagens

20.10.09

Aimar: um ano depois.

Há cerca de um ano escrevi um post que me envergonha. Envergonha porque nesse texto consegui blasfemar. é certo que a meu favor jogava a situação, caótica, de um Benfica que pouco ou nada produzia. Baseado em princípios retrógrados e obsoletos, o esquema táctico da altura não protegia o talento de um dos seus melhores intérpretes. De costas para a baliza, Pablito era só mais um. Não encantava o grande público, não deliciava todas a mentes que sedentas de golos e espectáculo negligenciavam o talento impar do pibe argentino. Muitos tolos, como eu próprio, sentiram-se na tentação de criticar o seu génio, hoje vejo que as palavras que na altura proferi são tão injustas que são quase um crime.

Um ano depois do inferno de Quique, Jesus consegui logo na pré-época o seu primeiro milagre. Com a bola no pé, de frente para o jogo, Aimar confessou que era mais feliz. A sua felicidade contagiou-nos a todos, e pouco a pouco, rabona em rabona, cueca em cueca todos os que pertencem a grande casa benfiquista ficaram radiantes. Com o 10 nas costas que outrora pertenceu a Rui Costa, Pablito encanta o povo nas bancadasz com jogadas magistrais que culminam em empolgantes vitórias que acordaram o gigante adormecido da Luz

Quer com bola nos pés, quer na ocupação dos espaços, quer na forma como arrasta defesas Aimar é perfeito. Como disse um dia o lateral-esquerdo,ver el Mago jogar é Aimar-te assim perdidamente…

25.9.09

mais sobre o mesmo.

Nos últimos tempos andamos sempre à volta da mesma questão. Explicam-se opiniões, rebatem-se argumentos, proferem-se contra-argumentos e no final da discussão as conclusões são tão inócuas que cada um crê que tem razão e volta para a sua vida trivial. Messi e Ronaldo, quem é o melhor? Os defensores do português pensam que o argentino é fraco de cabeça, não marca golos de longe e é fisicamente pouco dotado. Os partidários do pibe alvi-celeste contrapõe que não há poderio físico que derroto a genialidade pura de Léo.

Quando penso nesta questão. Ponho-me a pensar naquilo que mais valorizo num futebolista. Capacidade técnica? Capacidade de Explosão? Capacidade de decisão? Todas estas capacidades são altíssimas em ambos os jogadores exceptuando a ultima na qual Messi é muito mais forte que Ronaldo. Cristiano entende bem os momentos do jogo, sabe que quando deve abdicar do seu talento individual em prol da equipa e sobretudo sabe quando deve aparecer na área na hora de finalizar. Contudo em nada se compara a Messi quando tem que planear jogadas. Olhar para Lionel e vê-lo entender-se com Xavi e Iniesta como de um jogador normal se tratasse é fenomenal. Jogar a dois, três toques é como todos os jogadores deviam jogar. A verdade é que Messi não é normal, é de outro planeta…

19.9.09

Frente a frente

"Eto'o is the best striker that I have worked with, He is the best striker in the world. My players are always the best." José Mourinho.

Podemos blasfemar? Penso que sim. Em situações normais não contrariaria o que José Mourinho dissesse acerca da qualidade de um jogador. Porém e lendo com atenção as palavras de Mourinho e conhecendo a qualidade de ambos os jogadores posso afirmar que mourinho sabe que o está a dizer não é verdade. Primeiro porque a técnica que dizer que os seus jogadores são sempre os melhores está um pouco gasta e depois porque Zlatan Ibrahimovic é obviamente mais jogador que Samuel Eto’o. Muitas vozes se tem unido protestando contra a loucura de o Barça ter trocado Eto’o por um avançado inferior e ainda ter pago por ele 45 milhões de euros. O argumento essencial deste coro de protestos baseia-se no facto, para este grupo de pessoas cabal, de que por o avançado dos camarões marcar mais golos que o Sueco este tenha que ser obrigatoriamente melhor.

aqui explicamos a nossa concepção de avançados. Nesta ideia, Zlatan Ibrahimovic é neste momento o melhor do mundo. É certo que existe Rooney, Torres, Berbatov, Drogba e até Eto’o mas nenhum destes possui as qualidades técnicas, físicas e intelectuais para serem melhores do que dianteiro catalão.

Voltando à comparação directa entre os dois jogadores em causa (Samuel e Zlatan) o que poderemos dizer para corroborar a nossa posição? Em primeiro, e apesar da excepcional capacidade de explosão do jogador do Inter bem como à sua tremenda capacidade finalizadora ( que se viu por exemplo na final de Roma), Zlatan é um jogador mais completo pois não só possui capacidades técnicas individuais excepcionais como a sua apurada inteligência dentro de campo nos permite assistir a momentos como este:

A simplicidade com que Ibrahimovic resolve esta jogada permitindo que Messi se isolasse é absolutamente notável. De costas para a baliza, o Sueco serve “pivot” distribuindo de forma magistral o caudal ofensivo da equipa culé. Olhar para Xavi, Iniesta, Messi e agora Ibrahimovic será uma das mais deliciosas experiencias que um adepto de futebol poderá assistir. Aproveite, a história está lhe a passar à frente…

30.8.09

Obrigado ao Domingos,

Por ajudar a recuperar um dos maiores mal-amados da sua geração.

22.11.08

Ainda há espaço para Aimar?

De cabeça levantada e com dois ou três toques na bola, Pablo Aimar é o tipo de jogador que consegue do nada criar uma jogada de golo. A inteligência e graciosidade com que se movimenta em campo não engana ninguém, ali está um craque. Sim, um craque. Não daqueles que põe um estádio em pé com as suas fintas, “reviengas” e trivelas mas daqueles craques que em pouco tempo e com pouco espaço tem a capacidade única de tornar uma situação de desvantagem para a sua equipa num claro lance de golo. Vejamos o recente passe de “Letra” para o golo de Suazo, ali o que salta a vista é um recorte técnico digno de um malabarista importado do pernanbuco mas que o torna verdadeiramente belo o lance é rapidez do entendimento da jogada por parte do 10 benfiquista. Em poucos segundos, e com toda a classe que no futebol pode existir, o Benfica passou de estar a defender no seu meio-campo para poder marcar um golo…

Feitas as apresentações ao perfume do futebol de Aimar, cabe-nos agora entender de que modo é que o astro argentino cabe no esquema montado por Quique Flores. Se o treinador espanhol optar pelo 4-4-2 clássico que usou durante parte da época, fica para todos claro que não há espaço para Aimar. Partindo do principio que a na esquerda mora a classe de José António Reyes e que Yebda tem o lugar garantido como o homem mais recuado do miolo, onde poderá jogar Aimar? Na direita? Onde ficará invariavelmente longe dos terrenos de construção que tanto gosta de pisar, ou ao centro fazendo companhia ao franco-argelino e tornando o Benfica uma equipa mais permeável do ponto de vista defensivo? A melhor opção para colocar Aimar é sem dúvida como vértice de um losango, algo que Quique fez nos últimos dois jogos com resultados satisfatórios. O problema do losango é, para além da inexistência de interiores com qualidade no plantel do Benfica, o facto de Reyes ,um dos melhores jogadores que passaram no Benfica nos últimos anos, perder o seu espaço de manobra na equipa principal. Reyes é um extremo puro e portanto nem o estou a ver a cumprir funções de interior esquerdo pois para essa posição são precisas qualidades específicas que o espanhol pura e simplesmente não tem.

O problema que afecta o Benfica é já um caso raro no futebol, poucos são os “10” clássicos que ainda habitam o mundo do futebol. E esses, como tão bem apelidou Luís Freitas Lobo, são os “últimos românticos”. As exigências físicas do futebol moderno, fizeram que os antigos cérebros e pivôs ofensivos clássicos tenham sido substituídos por médios rápidos, tecnicistas e com grande disponibilidade física cujos grandes representantes são os espanhóis Fabregas, Xavi, e Iniesta ou os ingleses Lampard e Gerrard. O afastamento do futebol enquanto jogo e a sua aproximação à categoria de Desporto ditaram o fim dos “românticos”. Mais alto, mais forte e mais rápido. Mais do que a máxima do olimpismo esta é também a máxima do futebol. Como Aimar não se enquadra nesta visão atlética do futebol, haverá espaço para ele e para aqueles que como el mago preferem usar a cabeça do que a sua estampa fisica? Por aquilo que escrevi no primeiro paragrafo...penso que sim!

17.11.08

Desaparecido em Combate

Foste um dos mais promissores avançados do mundo, aos dezanove já tinhas ganho uma champions e uma liga holandesa. Jogaste em dois dos melhores clubes do mundo, e principalmente em Barcelona foste ídolo de milhões de catalães pelo teu estilo e exuberante e pela eficácia que demonstraste. Puseste as melhores defesas da Europa em sentido e conseguiste superar uma lenda como Cruijff como o melhor marcador de sempre da tua selecção. Por tudo isto mereces um pequeno tributo à tua carreira que tanto prometeu. È pena hoje ver-te afastado dos grandes palcos, dos grandes jogos, dos grandes golos. È pena ver o teu maior rival ainda no activo e em grande forma num colosso europeu. È pena que aos 32 anos já ninguém ouça falar de ti pelo menos há três. É pena ver um grande talento a desprediçar sucessivas oportunidades. Por tudo isto apenas pergunto,o que é feito de ti Patrick Kluivert?

11.11.08

Já que se fala tanto do duelo Messi VS Ronaldo...

Imagino Lionel Messi com a camisola desfraldada como uma bandeira, o 10 ao sabor dos movimentos do corpo, contra outros «10» com a mesma cor e o mesmo NOME, tatuado para sempre nas costas. Ainda pibe, não sente o peso dessa sentença chamada Maradona. Tem as meias em baixo, brancas mas também negras, pintadas com a cor das canchas de pó, com a ferrugem de um futebol feito de sonhos e pobreza. Imagino o baixinho Messi, de braços paralelos ao corpo, talvez com um boné virado para as costas, troçando de quem deixa pelo caminho no seu futebol endiabrado e conduzindo a bola como se jogasse ao pé-coxinho. Reconhece-se nele o futebol poético de Maradona e Pelé, a pureza do jogo antes de ser corrompido pelo tempo e pela insinuação sedutora das televisões. É o último dos eleitos. Cristiano Ronaldo está algures entre uma máquina de musculação e vinte metros à frente da baliza. Treina, treina, treina. Cada vez melhor, cada vez mais rápido. Um truque repetido dez vezes, uma recepção vezes trinta. Mais um remate, dois, dez. Meias para cima, cabelo bem penteado e firme, camisola justa ao corpo dentro dos calções. Dois passos para trás e um para o lado para o livre directo. É dali! Ele, nada português na sua sede, não resiste à busca constante pela perfeição. Pelo reconhecimento. Pela equipa. Por si. O 7 de Best, Beckham e, agora, Figo é apenas uma herança como qualquer outra, sem fantasmas. Ambos enormes, ambos fantásticos. Tão diferentes! Messi nunca será capaz de aperfeiçoar até à exaustão um movimento, Ronaldo não conseguirá imitar a naturalidade daquelas vírgulas canhotas do argentino. Tudo no português é parte de uma coreografia, inserida numa peça de teatro. Tudo no miúdo que o Barcelona descobriu ainda juvenil no país de El Diez faz parte da vida, do simples acto de inspirar e expirar. Como se a bola fosse, literalmente, um prolongamento do próprio corpo. Da tese e da antítese nasceu a síntese. A síntese seria o jogador perfeito. A velocidade, a força, a ambição e a capacidade de superação de Cristiano; a técnica, a magia e a simplicidade de Lionel. Se um presidente de uma empresa de clonagem esteve a ler este texto, acabou de largar o rato nesta frase, deslocando-se apressado para registar a patente. Mas, para mim, os génios têm de ser imperfeitos, Maradona tinha de ser rebelde e consumir cocaína; Garrincha não poderia ser Garrincha sem as mulheres e a bebida; Pelé fez bem em estar lesionado em 1962 e 1966; Zidane demorou tempo a mais a acertar em Materazzi... Cristiano só é Cristiano se não for tão puro quanto Messi, Messi só será Messi se desistir do Santo Graal da perfeição. E nós ficaremos felizes da vida por podermos assistir a dois dos maiores talentos do futebol, coexistindo, brilhando intensamente, e dividindo, acredito eu, os próximos prémios de melhor do mundo. Que o futebol não os estrague! in MaisFutebol PS: é dos artigos mais clarividentes que ja li em relação a este assunto...

A insustentável leveza do ser

Ora, passado algum tempo, tal como hoje o david luiz, volto à actividade. Peço desculpa a todos os meus colegas teóricos, mas em vez de me justificar, vou directo aos bloguismos. Com efeito muita coisa mudou desda última vez que postei qualquer coisinha. Temos um campeão do mundo de fórmula 1 da mesma cor do presidente americano, ambos da cor do Eminem. A selecção nacional passou a ser a pior equipe da Europa, e o Benfica a melhor. A Islândia esteve para fechar. O Mourinho está com o cabelo mais branco e a ganhar menos vezes. As coisas mudaram tanto que parece que o Eminem já é branco. Na sequência disso peço para completarem a frase "...ambos da cor d........" com o vosso indivíduo/a de cor favorito, nos comments. Posto tudo isto, o que é certo é que há coisas que nunca mudam, sendo essa a insustentável leveza do ser. Há uns dias, Cristiano Ronaldo marcou 5 golos em 3 jogos, salvo erro, e desde aí parece que foi esquecido tudo o que foi dito e discutido sobre a figura no verão e na pré-época. Já ninguem disse que o cristiano ia ser uma miséria este ano, que não ia fazer nada de relevante, que tinha enterrado a carreira. O que se passou foi o seguinte: ele é um jogador fantástico, teve uma lesão, atrasou-lhe a preparação, começou a jogar tarde, teve de recuperar o ritmo, e por agora está a rebentar o jogador que neste ano mereceu o reconhecimento de melhor jogador do mundo. Foram cometidos erros? Claro, mas principalmente numa áerea de gestao de imagem, longe dos campos. Para começar, para mim, devia ter acabado mais cedo com a Nereida. Mas se é para cometer erros, que sejão com seios daqueles. Parece que também houve qualquer coisa com o Real. Vamos lá ver uma coisa: um jogador de bola que aos 17 anos está num clube de topo, fora do seu país, dificilmente desenvolverá capacidade ou formação para conseguir lidar com o género de coisas com que o Ronaldo lida. O problema é que as pessoas que deveriam ter esta capacidade, são possivelmente menos competentes que o Cristiano. Desde logo o empresário, que claramente estava de olho na percentagen da transferência, e fez um bom trabalho para estragar a imagem do cr7. A família que, mesmo sendo-nos possivel perceber que claramente que clarividência não abunda naquele lar, ao menos que se calem. E, por último, a imprensa, nomeadamente a nacional, que hoje por hoje acumula uma tão grande concentração de ignorância e falta de respeito, que a expressão senso comum já não faz sentido no jornalismo português. Só assim se percebe, numa altura em que a selecção está numa grande competição, repórteres dividam o tempo entre questionar durante horas e entre refeições ou actividades pessoais os emigrantes portugues, e tentativas de invasão dos quartos dos jogadores portugueses para saber se o critiano vai para o Real, e se sim "Jorge Ribeiro, que acha disso?". Como se o Jorge Ribeiro tivesse capacidade para achar alguma coisa. Se houve, e há cépticos em relação ao Ronaldo, eu próprio sou um em relação a Lionel Messi. Não me parece existirem dúvidas em relação ao talento. Muito menos em relação ao potencial. Agora parece-me impossível justificar o titulo de 2o melhor jogador do mundo. O que? Um rapaz que está em média mais de 2 meses por ano lesionado? Certo, levanta estádios e joga fantástico. Mas o futebol não é só espetáculo. Chega, aliás, uma altura na época que é tudo menos espetáculo. E a verdade é que com o barça Messi não tem um título há de 2 épocas. E fisicamente, continua sem evoluir. A minha dúvida é: será messi, então, o melhor jogador desta geração, destinado a levar o barça, a argentina e ele próprio aos grande triunfos; ou estará messi na calha para ser um Robben melhor, um jogador fantástico que só não consegue aguentar 10 meses de alta-competição, não sendo, consequentemente, um jogador decisivo? E o Eminem, voltará à sua cor original?

5.11.08

Nunca serás Diego!!

~Em primeiro lugar é justo dizer que este titulo tem tanto de verdade como de falacioso pois ninguém, nem mesmo Messi é Maradona. Façamos justiça ao jogador, Juan Román Riquelme é um talento natural para jogar à bola. Posso dizer que é o último de uma classe de românticos que povoaram o futebol durante décadas. Como herdeiro de uma classe em vias em extinção, Riquelme possui as qualidades técnicas que podem fazer a diferença em qualquer jogo. A criatividade, a técnica e a inteligência do Mago de “la bombonera” tornaram-no rapidamente como uma das grandes promessas do futebol mundial, mas estas qualidades dignas de um génio não foram o suficiente para confirmar o futuro brilhante que todos lhe indicaram. O feitio difícil, a indisciplina e sobretudo a falta de trabalho foram notas marcantes da sua carreira, e da Europa fica uma fulgorosa época de 200572006 em que carregou às costas o modesto (na altura) Villareal até às meias finas da champions league. Há quem diga que aquela penalidade falhada no último minuto que daria a passagem à final da mais importante competição de clubes foi o inicio da queda de Riquelme. Mas eu não concordo. Riquelme fez duas épocas na Europa ao mais alto nível, mas de resto…foi pouco mais de normal. Não quero dizer com isto que argentino é mau jogador, nem mesmo quer dizer que é um jogador razoável, mas penso que podem concordar comigo quando afirmo que ele é um verdadeiro flop quando comparado com as expectativas depositadas nele. Vou ser sincero. Não gosto de jogadores que jogam quando lhes apetece e que parecem gostar de esbanjar o talento que tem, enquanto vemos outros (Grande Raul Meireles!!) que apesar de não terem um terço da classe de Riquelme acabam por ser mais decisivos do que ele. O grande objectivo deste post é tentar fazer passar a minha ideia de que Juan Roman Riquelme podia ter sido o rei, mas acabou por ter sido mais um dos milhares sul-americanos que todos os anos chegam ao velho continente.

P.S Este post poderia chamar-se o Que falta a Riquelme mas achei que violava direitos de autor.

P.P.S Mesmo assim, considero que Juan Roman Riquelme, pela qualidade que sempre demonstrou, não merece que o esteja a “etiquetar ” como “fiasco”.

30.10.08

MARADONA TREINA ARGENTINA

O título tinha de ser este. Não adianta tentar adornar as palavras, nao vale a pena encontrar metáforas ou criar um título que mostre a minha opinião logo à partida pois estes dois nomes juntos com o verbo treinar chegam para criar uma bomba no mundo desportivo. Diego Armando Maradona, melhor jogador de todos os tempos (pelo menos para mim), ex toxicodependente, figura socio-política muito polémica, homem de coração na boca e talento nos pés, herói para todos (mesmo para os que também o consideram vilão) consegue chegar ao cargo de seleccionador argentino. Consegue. A verdade manda que se diga que se insinuou ao cargo, publicamente. Que importa? Com toda a sua influência fez pelo realizar um sonho e um objectivo, conseguiu-o e agora o mundo certamente terá sempre os olhos postos na equipa das pampas. Entre os objectivos Maradona fala de Messi (presente e futuro) de Verón e Riquelme (passado que faz falta no presente).Conta com os três e no meu entender bem. Se concordo com a escolha? Concordo inteiramente com a decisão de El Pibe ter Carlos Bilardo com ele. Quanto ao eterno 10, não sei. O racional diz-me que a escolha não é a mais acertada (numa sondagem os povo argentino também não acha). Maradona nunca treinou uma equipa com a dimensão desta selecção (apenas treinou o Racing Club e o Deportivo Mandiyu num total de 23 jogos apenas com 3vitórias), o seu curriculum social dá-lhe "muitos contras". Porém, ele é O Maradona (aqui entra a parte (i)rracional) e eu espero sempre o melhor dele, quero o melhor dele, acredito que bem acompanhado poderá ser um exemplo e uma inspiração para a equipa. Para já o que falou , falou bem. Uma coisa é certa, o mundo do futebol ganhou mais umas páginas largas para se escrever...A novela da vida de Maradona entra num novo capítulo.

25.10.08

Saudade ....

Faz hoje onze anos que, Diego Armando Maradona jogou sua última partida como jogador profissional de futebol – mesmo que o próprio ainda não tivesse a certeza de que este jogo era mesmo a sua despedida. No dia 25 de outubro de 1997, cinco dias antes de completar 37 anos, o eterno camisa 10 do Boca Juniors entrou no campo do estádio Monumental para um clássico contra o River Plate. Os xeneizes venceram por 2 a 1. Algumas horas depois, já em casa, com muitas dores e sem vontade de voltar a treinar, Maradona avisou: “Não dá mais”. No seu aniversário, anunciou pela oitava vez a sua aposentadoria – dessa vez foi definitivo. Esta semana, uma década depois do fim da “era Maradona”, o craque jogou uma partida de futsal em numa cidade próxima de Buenos Aires e viu o ginásio lotado para vê-lo com a bola nos pés. Os argentinos aproveitam qualquer oportunidade para assistir ao show dado por aquele que consideram o melhor jogador de futebol de todos os tempos (Nunca viram jogar o Milton do Ó). O jogo A partida-despedida de Maradona foi a última que o River perdeu antes de se tornar o campeão do Torneio Apertura daquele ano. O Boca tinha um time que, além de Dieguito, contava com os jovens Martín Palermo e Juan Román Riquelme, que entrou justamente no lugar de Maradona no intervalo do jogo. A escalação titular do time naquele dia contava com Oscar Córdoba; Nelson Vivas, Jorge Bermúdez, Néstor Fabbri, Rodolfo Arruabarrena; Nolberto Solano, Diego Cagna, Julio Toresani, Diego Maradona; Claudio Caniggia e Martín Palermo. Provavelmente o resultado positivo ajudou o argentino a anunciar seu adeus, pois alguns amigos dizem que o craque estendeu sua carreira mais do que aguentava só para poder sair com uma vitória sobre o arqui-rival. Na verdade, a maior pressão para o fim da trajetória de Diego no futebol foi um exame antidoping que deu positivo na partida anterior, contra o clube que o revelou – o Argentinos Juniors. Sem forças para enfrentar mais um processo desses, Maradona pendurou as chuteiras. Problemas pessoais No início de 2000, Maradona sofreu um ataque cardíaco em Punta Del Este, no Uruguai, e passou vários dias na UTI. Cuba e Fidel receberam "el pibe", onde morou durante alguns anos para fazer um tratamento contra o seu vício pela cocaína, mas é sabido que ele não seguia as recomendações médicas à risca. Maradona recuperou-se, emagreceu e chegou a virar apresentador de um programa de variedades na televisão Argentina (chegou a entrevistar Pelé e Xuxa), mas no começo de 2007 voltou ao hospital, dessa vez por problemas com o álcool. Se recuperou novamente, e hoje joga ocasionalmente partidas de Showbol, mostrando que, como nos tempos de jogador, é muito difícil derruba-lo.

21.10.08

"Pequeno" Esquecimento

Li esta semana na crónica de Luís Freitas Lobo(LFL) no jornal expresso que Vicente del Bosque considerava o melhor jogar do mundo, não Ronaldo muito menos Messi mas sim…Xavi. Que resposta absurda pensarão todos, mas a verdade é que tanto del Bosque como Freitas Lobo justificam com alguma razoabilidade esta posição. Os dois sustentam que apesar de se tratar de um prémio individual o futebol é um jogo colectivo e por isso o melhor jogador do mundo é aquele que mais contribui para a fluidez de jogo, isto é, seguindo a ordem de ideias destes dois especialistas o melhor do mundo não é o jogador que individualmente se destaca mas sim aquele que faz com a sua equipa jogue.

Afirmo desde já que não concordo com esta opinião. O melhor do mundo tem que ser o jogador mais eficaz, o mais decisivo desse ano, aquele que qualquer equipa tem medo de defrontar. Xavi apesar de um centro-campista soberbo não é o jogador mais decisivo do ano. Fazendo as apresentações ao tema, vamos ao que interessa. A lista dos candidatos da prestigiada france Football para a bola de ouro, só tenho uma coisa a perguntar, que raio é aquilo? Num ano de 2008 em que a Espanha é campeã europeia e o Iniesta que para mim é o melhor do europeu não está lista, a credibilidade da revista vem por água abaixo. Tudo bem que não preciso levar à letra tudo o que o del Bosque e o LFL dizem mas também não custava nada colocar um dos melhores médios-centros do mundo no rol de candidatos que conta com jogadores como Zhirkov, Pepe, Sergio Ramos, van der Saar ou Marcos Senna. Sem querer tirar qualidade a estes homens, porque é inegável que todos eles a têm, nenhum pode estar á frente de Iniesta numa hipotética eleição de melhor jogador do mundo.

A qualidade de passe e de desmarcação, a visão de jogo e rapidez de decisão fazem deste produto da cantera do Barça um verdadeiro craque. Para quem esteve menos atento, repare que Iniesta fez todo o Europeu numa posição que não é a sua e mesmo assim não baixou o nível exibicional. Ele marcou golos, fez assistências, correu por todo o flanco direito, veio ao meio, defendeu, em suma foi um autêntico regalo para um amante de bom futebol. Espero que tenha sido apenas um “esquecimento” e que ao menos a France Football faça justiça quanto ao vencedor. Pela minha descrição supra-citada já podem adivinhar quem é a minha aposta, não?

27.9.08

O Rei

Para fechar esta trilogia de “grandes portugueses” acabo, como seria de esperar, com o Rei. O Rei Eusébio da Silva Ferreira nasceu a vinte cinco de Janeiro de 1942 em Lourenço Marques (Maputo) e a história lembrar-se-á dele como o “Pantera Negra”. O talento evidenciado por Eusebio no Sporting de Lourenço Marques foi o suficiente para que o clube da metrópole o tenha vindo buscar para jogar no campeonato português. Todavia quis o destino que o “pantera” brilhasse noutras paragens e levou-o não ao José de Alvalade mas sim ao estádio da Luz. A carreira com a camisola 13 do Benfica é sobejamente conhecida por todos os portugueses, e não só, se viram o filme “love actually” uma das personagens refere-se a Eusébio quando quer exemplificar a cultura portuguesa.

317 Golos em 301 jogos com a camisola do Benfica são números que nunca ninguém ligado ao clube da águia vai esquecer. Os 9 golos marcados no mundial de ’66 também são uma marca mítica não só para benfiquistas mas para todos os portugueses. O nome de Eusébio perdurará na história do futebol mundial, como um dos avançados mais mortíferos de sempre. Os títulos conquistados na década de sessenta pelo Benfica e os (muitos) golos que marcou são legado de um homem martirizado por entradas violentas de adversários impotentes ao perfume do seu futebol, que resultaram em 7 operações aos dois joelhos obrigando Eusébio a jogar muitas vezes em situações muitíssimo dolorosas. Num documentário que vi há alguns anos um médico que o operou na altura disse que as lesões de Eusébio, hoje seriam impeditivas de jogar futebol ao mais alto nível…

Como definir Eusébio como jogador? Essa é uma questão que muito dificilmente posso responder pois nunca o vi jogar. Dos muitos documentário e vídeos que vi dele, podemos dizer que era um avançado, muito rápido, muito forte e com um remate fulminante. Do que entendi, era daqueles jogadores de remate tão fácil que marcava golos de todas as formas e maneiras possíveis, isto é, se estivessem quatro defesas pela frente o resultado era o mesmo que se estivesse isolado frente ao guarda-redes, golo…

Há pouco mais a dizer sobre Eusébio, que há pouco tempo foi considerado por uma votação online da FIFA como o terceiro melhor jogador de sempre, a não ser que foi, é ,e sempre será um símbolo da pátria. As imagens de Eusébio de braços no ar a festejar um golo, a voz de Artur Agostinho a gritar em plenos pulmões “GOOOOLO DE EUSEBIO” ou a fotografia tirada no mundial de ’66 quando perdemos contra a Inglaterra, ficará não só na minha memória mas na memoria de várias gerações diferentes de portugueses. Eu não sou minimamente do tempo dele mas tenho-o em mente como um idolo se isto não é ser uma lenda viva, o que será?

26.9.08

O Conde

A minha “relação” com Luís Figo sempre (ou quase) foi de amor-ódio. Primeiro, idolatrei-o, colocando-o num pedestal que não pus mais nenhum jogador, nem mesmo Poborsky, Nuno Gomes ou Preud’homme os meuss craques de eleição. De repente, e como uma bomba, a notícia saiu e eu fiquei desolado, de ídolo, Figo passou a “pesetero” que trocou a alma catalã pelas pesetas de Madrid. Tive enormes dificuldades em lidar com essa mudança e portanto o meu discernimento sobre a carreira do jogador em certos momentos não foi a melhor. ´

A verdade, seja ela dita, é que Luís Figo é um ícone impar na história do futebol português. Foi o primeiro a vencer um prémio FIFA para melhor jogador do mundo, foi o líder da geração de ouro sendo o seu expoente máximo, personificou da melhor forma o sucesso de um emigrante português no exigente mercado internacional, isto é, foi um elemento fundamental para a evolução e afirmação do futebol português na Europa, juntamente com Rui Costa e Paulo Sousa foi um símbolo desta nação no estrangeiro. Será difícil de esquecer muitos jogos magníficos que vi Figo realizar. Seja pelo Barcelona, pela selecção ou pelo Real Madrid, o golo contra a Dinamarca onde sublimemente passa no meio dos dois centrais, ou o pontapé de raiva que nos abriu portas para um brilhante Euro’2000, mas sem dúvida, o que recordo com mais intensidade foi aquela noite de Maio de 97 quando o barça a perder 3-0 ao intervalo com Atlético deu a volta ao resultado para 5-4 com um golo e três assistências do extremo português.

Uma das razões que também hoje me faz gostar de Figo é a sua inteligência emocional, e a forma como hoje se move pelos meandros do futebol. Longe dos tempos em que assinava dois contratos com equipas diferentes, o craque português nascido na cova da iria em 1972 foi o primeiro a organizar jogos amigáveis com intuitos sociais, lembro-me que causou furor quando convidou Michael Schumacher para um desses jogos, e é também importante realçar a sua veia empresária sendo um forte investidor no sector do turismo. Uma prova de carácter do "Conde da Catalunha" (era assim apelidado quando jogava na cidade condal)aconteceu quando criticado pela imprensa do pais vizinho por comprar roupa na Zara respondeu calmamente que era roupa de qualidade e que ainda por cima era mais barata, ò Belmiro aprende alguma coisa com o homem…

O meu veredicto acerca de Figo acaba por ser positivo apesar de considerar muitos aspectos da sua carreira reprováveis, nunca lhe perdoarei a troca do Barcelona pelo Real Madrid. Mas apesar disso, não me vou poder nunca esquecer dos seus raides pela linha, pelos golos, pelas assistências e sobretudo pela classe que sempre passeou por todos os relvados. Um grande obrigado, Luís Figo.

O príncipe

Na votação que foi levada a cabo pelos teóricos, os nossos leitores não tiveram dificuldade em considerar que o “nosso” Cristiano Ronaldo é o melhor de 2008. 63% dos votantes consideraram o extremo do Manchester United o melhor jogador do mundo, números que deixaram a concorrência encabeçada pelo Argentino Leo Messi. Até aqui nada de novo, bastava olhar para o quadradinho da votação para compreender o que estou a dizer, o que falta é hoje, aqui neste blog prestar um tributo a uma verdadeira máquina a jogar futebol.

O rapaz corre que se farta, é forte, tecnicamente é excepcional, possui um jogo de cabeça digno de um Miroslav Klose , marca livres, marca penaltys, marca de calcanhar, isto é, marca de todas as formas e maneiras e quando é preciso, como foi em Barcelona o ano passado, ainda é capaz de se sacrificar em prol da equipa. Resumindo e concluindo, um colosso do futebol moderno.

31 golos em 36 jogos na premiership que o faz ser o melhor marcador da Europa, um feito inigualável para um extremo, 7 golos em 12 jogos na liga dos campeões que o faz ser o melhor jogador e marcador da mais prestigiada e exigente competição internacional de clubes. Querem mais? Nos últimos anos não me lembro de um jogador tão decisivo e eficaz como o nosso Cristiano.

È interessante ver o percurso de vida deste prodígio despontado em Alvalade e delapidado em Old trafford. A vida difícil que passou nos primeiros anos de vida, foram (e isto é especulação minha) o tónico para um jogador que em todas as alturas pensa em superar-se e a querer ir mais além. Os seus famosos “rockets”, os potentes livres que espantaram o mundo a época passada são fruto não só do seu inesgotável talento mas também do seu árduo trabalho. Este é um dos inúmeros exemplos de como Ronaldo não é só um miúdo mimado com grandes carros e que gosta exclusivamente em aparecer nas revistas cor-de-rosa, mas sim de um profissional de excelência que para além de executar exemplarmente o seu trabalho consegue ao mesmo tempo vender muito bem a sua imagem.

Este é um post de tributo portanto não vale a pena referir os seus defeitos como jogador, não é a altura certa para o fazer muito menos ficaria bem da minha parte.