- Já estamos habituados a termos muitos, e maus, comentadores desportivos. António Tadeia, João Querido Manha, Luís Sobral, Gabriel Alves, Rui Santos, João Gobern…etc. Bruno Prata, redactor desportivo do publico, nem era dos piores mas, e com esta crónica de sexta de feira no jornal publico só posso constatar que ou Bruno Prata anda a sofrer do mesmo mal que o Manuel Fernandes ou decidiu começar a dar no LSD antes de escrever a sua crónica semanal. Escolher entre Liedson e Hulk para melhor jogador do campeonato, quando ele nem sequer acabou, começa logo por ser uma precipitação. Se o levezinho acaba por ser uma escolha justa, até porque esta a fazer de longe a sua melhor época no Sporting, o que dizer de Hulk? Melhor jogador do campeonato? Isso é quase uma afronta a quem vê o futebol enquanto um jogo colectivo e não uma mera soma de individualidades. Concordo com o autor do texto quando disse que o brasileiros “teve momentos de grande brilho”, mas depois descartar Meireles, Reyes, Rodriguez ou Nene por não terem sido “tão constantes como o brasileiro” é no mínimo ridículo (e isso são argumentos do próprio jornalista, não meus). Achei também caricata a eleição de revelação da liga para o público: Fernando. Pois pá, ò Bruno, já devias estar à espera que o Hulk fosse uma máquina. Sim, quando ele chegou olhaste para a cara dele e disseste: “este miúdo pá, tem a força dos deuses, vai fazer história!” Não. Digam, o que disserem a revelação deste campeonato é mesmo o avançado brasileiro. Fernando só é a revelação para os mais distraídos pois já a época passada mostrou excelentes sinais que poderia vir a ser uma mais-valia para o futebol clube do Porto. As escolhas de Carriço e de Ruben Micael como também possíveis revelações são justas e até compreendo o comentário mais depreciativo a Miguel Victor, Prata considera que Miguel Victor só se destacou pela garra e velocidade, mas volta a estragar tudo quando diz que Liedson é dos melhores porque defende à frente. Sim senhor. Bruno Prata acabou de descobrir a pólvora. A pressão que liedson faz não torna melhor jogador pois é mesmo isso que qualquer avançado deve fazer. A ligeireza com que o faz é o que o torna diferente dos outros…pois, mas se calhar isto é difícil de entender.
- Porto, Sporting e Benfica receberam e venceram esta jornada. Quase não vi nada dos 3 jogos, mas posso dizer que começo a achar Liedson como o abono de família dos verdes-e-brancos. Jornada sim, jornada sim o levezinho ou marca ou assiste tornando-se assim o mais valioso jogador leonino. No lado do Benfica começa a evidenciar-se Cardozo. Treze golos e algumas boas exibições tem servido para afastar rumores de uma possível transferência. Nuno Gomes quase aos 33 anos continua a mostrar classe. Com o lugar em risco, o 21 do Benfica tem mostrado vigor e raça que nunca havia sequer esboçado em outros anos na Luz.
- Em Espanha depois de as coisas já terem estado mais fáceis para o clube culé, agora parecem vir a piorar. Depois de um grande golo de Messi e alguma sorte à mistura o Valência de Miguel, Hugo Viana e Manuel Fernandes chegou à vantagem com um golo de Pablo onde Puyol e Piqué pareceram que ficaram a jogar ás cartas enquanto a equipa che jogava. Valeu Henry e uma saída suicida de César para salvar uma derrota quase certa. Em Sevilha a equipa da casa teve em 20 minutos oportunidades para cilindrar o Madrid. Não o fez, e saiu-lhe caro. Raul em cima do intervalo empatou numa jogada construída por Lass, Ramos e Metzelder (que apareceu na direita a cruzar). Não satisfeito o veterano avançado madrileno repetiu a dose na segunda parte encurtando a diferença de 6 pontos para 4 relativamente ao líder Barcelona. Depois de meses em que todos apontávamos o Barça como único candidato possível ao título espanhol aparece um Real Madrid em grande forma que promete discutir o campeonato até à última jornada. Para semana joga-se o clássico no Bernabeu, a tribuna dos teóricos mal pode esperar por esse acontecimento.
- 10 jogos para Pepe. Justo. É uma punição exemplar para um comportamento inexplicável. Cabe agora ao Real recuperar Pepe não só como jogador mas também como homem. Parece-me injusto que um jogador como luso-brasileiro fique conotado com tão bárbaros actos.
- O Inter de Mourinho perdeu em casa contra o Nápoles de Donadoni. Juventus e Milão aguçam os dentes e pensam que podem ir ao primeiro lugar que está a sete longos pontos. Já viram este filme em mais algum lado? É que eu já…
- Por falar em coisas estranhas, o que dizer do prémio atribuido a Ryan Giggs de melhor jogador da Premier League? Estranho só porque Giggs já não é o jogador rápido e explosivo que outrora foi. é bonito ver, finalmente, e aos 35 anos Ryan Giggs como o melhor jogador da premier league. Especialmente porque todos os anos os clubes ingleses gastam milhões em contratações.
Chegaram os teóricos que acham que têm sempre razão. Comecem as precipitações futebolísticas.
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26.4.09
como explicar o inexplicável (ou como dizer-se barbaridades e ainda ser pago por isso)
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10.4.09
Do Teatro dos Sonhos à decadencia de um craque - curtas da semana
- O futebol clube do porto mostrou em Old trafford como é que se joga à bola a sério. Sem crises, penaltys ou escândalos, o FCP amarrou por completo o campeão europeu e só por azar é que ia saindo de Inglaterra com um resultado negativo. Helton, Lucho, Meireles, Lisandro e sobretudo Fernando fizeram um jogo soberbo e tacticamente quase perfeito. No extremo oposto esteve Hulk. Francamente abaixo do resto dos companheiros o dianteiro azul-e-branco esteve pródigo a desperdiçar bons lances de ataque. No fundo, compreende-se que Hulk tenha estado abaixo do nível esperado, afinal de contas fez capa todos os dias e não está minimamente habituado a lidar com a pressão.
- No madrigal Villareal e Arsenal empataram a um golo. Num jogo equilibrado onde, mesmo assim, as melhores oportunidades pertenceram à equipa da casa ressalve-se o grande golo de Emanuel Adebayor. Um verdadeiro hino ao futebol.
- Em Anfield o Liverpool disse praticamente adeus à Champions League. Perder 3-1 em casa contra um dos seus maiores rivais é um desaire inesperado na medida que os comandados de Rafa Benitez tem sido das melhores equipas desta edição. Num jogo que teve sempre um ritmo elevadíssimo, o chelsea chegou à vantagem através de dois golos de canto. Isto para um treinador metódico e perfeccionista como Benitez terá custado tanto como dois tiros no joelho.
- Uns kilometros mais abaixo, lá para os lados da Catalunha o Barcelona deu uma verdadeira sarabatina de bom futebol aos alemães do Bayern de Munique. Com uma capacidade de circulação de bola fora-do-comum a equipa culé apresenta-se para já como a grande favorita à conquista do troféu. Não pelas expressivas vitorias que são resultado não só de uma grande qualidade individual dos seus jogadores, mas sim da orgânica dos seus elementos. No barça a entreajuda dos jogadores é impressionante, as fintas, toques artísticos e raides são subalternizados pela circulação de bola. Contra uma equipa que tem a sua essência na elevação do ritmo de jogo através do poderio atlético e técnico dos seus melhores jogadores, o Barcelona não teve qualquer ensejo em golear. Foi sem duvida um excelente teste para equipa de Pep Guardiola que nas meias-finais defrontará, com quase toda a certeza, o Chelsea de Hiddink.
- Por Portugal um surto de estupidez alastra e parece que atingiu o ex-futuro-treinador Manuel Fernandes. “Comigo a selecção era Liedson mais dez” demonstra bem o porquê de ninguém o querer a treinar seja o que for. Nem os chineses nem os cipriotas o querem porque sabem que com este tipo de afirmações a única coisa que podem aspirar é a luta pela manutenção.
- Quique diz que a equipa não joga como ele quer. Olha boa. Se ele quisesse que a equipa jogasse assim só poderia ter a mesma doença que o Manuel Fernandes. O problema Quique é que o 4-4-2 não é minimamente adaptável ao actual plantel do Benfica. A falta de largura de uma equipa que joga com dois extremos não é colmatada com circulação de bola por interiores. Ou seja, basicamente o Benfica vive do querer e da garra de alguns jogadores bem como da capacidade individual de José António Reyes. Assim sendo, e não havendo o mínimo de um ideal colectivo na equipa do Benfica não agoiro grande futuro para a equipa técnica liderada pelo espanhol.
- Há muito tempo que todos sabíamos que Adriano não jogava com o baralho todo. Agora o “imperador” quis ser mais “Nero” do que “Adriano” e enlouqueceu por completo. Não é compreensível que um jogador com o potencial que o avançado canarinho tem, esteja constantemente arrastado pelas ruas da amargura. Nem o incentivo de um treinador como Mourinho foi o tónico para o arrancar da “austera, apagada e vil tristeza” em que caiu a sua promissora carreira.
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