Neste blogue, já um teórico abordou o longo caminho que
percorremos até à África do Sul. A minha
opinião é, porém e como não podia deixar de ser, completamente diferente daquela que aqui foi
deixada e cabe-me agora explicar porquê:
Contra os canhões, Marchar, Marchar. Assim acaba o hino de
Portugal e é talvez a frase que os portugueses mais associam à luta e a
sobreposição de adversidades. Hoje em Zenica houve vontade, houve garra, houve
atitude, houve muito suor e quase lágrimas no final. O que não houve, pelo
menos que eu tenha notado, foi futebol. Zero. Nada. Nem uma jogadinha de
registo para que eu pudesse sorrir. O campo não estava para grandes aventuras,
circulação de bola, seria complicadíssimo. Mostrar porém tanta desorganização,
e vontade de apenas chutar para a frente faz-me pensar que faremos em terras
dos Bafana.
Pepe cortou bolas a torto e a direito. Cortou tantas bolas
como falhou passes. Sempre que o único bósnio criativo pegava na bola era um
vê-se-te-avias para resolver a situação. A opção táctica por Pepe neste jogo
terá sido porventura a menos aberrante até agora. Este era um jogo em que estaríamos
talhados para sofrer, não tenho dúvidas disso, o problema é que até agora o que
mostramos foi tão pouco que mais esta cinzenta exibição não nos pode deixar
contente.
Um leitor do blogue disse que odiava “vitórias morais”. Eu
tal, como ele, também as odeio. São ilusórias e perigosas para um futuro próximo.
O que se passa com Portugal é exactamente o oposto. Neste aspecto, concordo
inteiramente com o RVO, os jogadores estão verdadeiramente de parabéns, só um
grupo com grande valia individual e com o Edinho, Hugo Almeida e Paulo Ferreira
na equipa poderia se ter qualificado para um mundial.
Sejamos todos intelectualmente honestos, é verdade que é
melhor vencer do que jogar bem, mas ao mesmo tempo o melhor caminho para vencer
não é exactamente jogar bem? Estaremos nós preparados para enfrentar equipas de
maior qualidade individual e colectiva? Pelo que mostramos até agora,
definitivamente que não.
O que se passou nesta qualificação não significa necessariamente
que Portugal vá fazer uma má prestação no próximo campeonato do mundo. As
escolhas de Queiroz até ao momento tem sido francamente más, uma alteração
(radical) da forma de pensar e construir esta equipa poderá levar a esquadra
lusitana até bem longe na Africa do Sul.
P.s. Nani já foi diversamente criticado neste espaço. é inegavel que o ala do Manchester United não está a evoluir como o esperado e que o seu
rendimento não melhore ,sobretudo, por causa da sua cabeça. Sempre que recupera
uma bola e passa por um jogador já se sabe o que luso-caboverdiano vai fazer,
enquanto não superar estas lacunas Nani nunca poderá chegar ao nível de outros
extremos que encantaram Portugal. Tiago é um caso diferente. Como é possível criticar
a vontade de um jogador quando o esquema de jogo é claramente antagónico à sua
forma de jogar. O médio da juventus é um jogador cerebral, de apoios e propício a
um bom futebol. Num esquema montado por José Mota ou Jaime Pacheco nem sequer
teria lugar. De referir que o único momento de futebol durante todo o jogo saiu
dos seus pés. Critica-lo é negar aquilo que por e simplesmente defendo para o futebol. Tiago, como tantos outros, é uma vitima de um paradigma obsoleto.
P.P.S Raymond Domenech rivaliza com Queiroz pelo titulo de
treinador mais incompetente deste apuramento. Com uma equipa cheia de bons
valores a sistemática aposta num futebol directo ia valendo uma não
qualificação. A sorte foi que o árbitro não viu a mão de Henry que permitiu aos
gauleses garantirem o bilhete para África. Depois de 2008 não sei como é o
presidente da federação francesa não entendeu que o excelente mundial de 2006
foi obra do génio de Zidane e não da competência do seu treinador.
P.P.P.S já estou a ver todos a mostrar a sua indignação e a
chamar-me velho do Restelo. Se vivesse em Portugal estaria à espera que a
qualquer momento me invadissem a casa.