
É comum nas conversas de café falar-se de qual a nossa liga preferida. Comum é também a resposta: Premiership, ou então, La Liga. Compreende-se, na primeira o kick and run, a agressividade, a lealdade (que nas últimas épocas já não é tão notória), a força e claro, Ronaldo, Fabregas, Torres, Gerrard...! É sem dúvida a liga mais competitiva, com mais exposição mediática e a que também soube aproveitar melhor o negócio futebol. A segunda apresenta um recorte técnico invejável, tem várias equipas semelhantes, tem constantemente equipas emergentes (Villareal, Getafe, o sobe e desce de Valência, Sevilha etc...) e tem Barcelona e Real Madrid que sempre que se encontram a Europa pára. Quanto a jogadores os nomes são imensos como em Inglaterra, porém estão espalhados por todas as equipas. Vejamos os homens-golo: na minha opinião os melhores sao Villa e Aguero (este, actualmente, é o jogador do mundo que mais me cativa) e estão em equipas do meio da europa. O que quero realçar nesta competição é a qualidade individual de cada plantel, cada jogo fora é uma batalha, cada jogo em casa é imprevisível, cada jornada traz no mínimo dois grandes jogos e a luta é sempre acesa em qualquer ponto da tabela. Porém, o meu futebol, o que me faz ficar quase todos os domingos à hora de almoço no sofá é o Italiano. Já foi a liga mais poderosa do mundo, perdeu essa hegemonia, caiu num buraco financeiro sem fundo, perdeu-se nas teias da justiça mas dá mostras de estar a voltar. No calcio não há um único jogo ganho antes do árbitro apitar e os jogadores tomarem banho. Exemplo recente: Milan-Bolonha. O monstro europeu ataca, Ronaldinho espalha a sua renovada magia, Pato entra e pensa-se que o Milan iria conseguir...o jogo estava 1-1 com a equipa forasteira a marcar primeiro...do nada sai um tiro do meio da rua e 1-2! A equipa recém promovida ganha o jogo. A cultura táctica de cada equipa em Itália é um hino ao futebol. Do jogador mais novo ao treinador mais velho todos são "velhas raposas", parece que desde pequenos começam a beber do saber de Trapatoni e de Arrigo Sacchi. Um case study é Luciano Spaleti. A equipa romana aprendeu a ser o já citado "camaleão táctico" controlando os tempos de jogo, sabendo atacar e defender e principalmente fazer as transições entre estes dois momentos de forma brilhante. Depois, há planteis interessantes. Fiorentina, Udinese, a perigosa Samp. onde o 3:5:2 assusta tal a maneira brilhante como é interpretado. Na equipa de Florença cada jogador ocupa um espaço insubstituíel no modelo de jogo. Prandelli de facto ressuscitou este histórico. Juntando a tudo isto a Juve, o Milan e o Inter de Mourinho temos uma liga onde as palavras escasseiam para a poder definir em todo o seu potencial. Este ano com Mourinho o Calcio ganha novo interesse:ver como o special one irá sair-se na liga mais táctica do mundo. A minha análise leva-me a crer que Mourinho irá ter imensas dificuldades, até pelo legado interno que Mancini deixou. Já sabem, 14h de domingo, a táctica no pequeno ecrã!